Crianças desaparecidas no MA: Forças de segurança intensificam buscas no rio Mearim com uso de sonar e restringem acesso à área
Forças de segurança mantêm buscas por duas crianças desaparecidas em Bacabal A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Estadual de Segurança e...
Forças de segurança mantêm buscas por duas crianças desaparecidas em Bacabal A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Estadual de Segurança entraram no 17º dia de buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos e, Allan Michael, de 4 anos, que estão desparecidos desde 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma região de mata na zona rural de Bacabal (MA). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Nesta terça-feira (20), as autoridades restringiram a entrada de pessoas que não participam da força-tarefa das buscas na região do rio e na base onde as equipes que trabalham na ação. A entrada da imprensa na área também foi restringida na manhã de terça. As buscas estão concentradas no trecho onde cães farejadores detectaram a presença das crianças na região. Homens da Marinha estão usando o equipamento subaquático side scan sonar, onde devem fazer nesta terça-feira (20) a varredura no trecho de 1 km do rio Mearim. ➡️ O side scan sonar é um equipamento usado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. Ele emite feixes para os lados e produz imagens do fundo do rio ou do mar, mesmo em locais com pouca visibilidade. O equipamento veio do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA), e chegou a Bacabal no sábado (17) e desde o domingo (18), auxilia nas buscas pelas crianças com o auxílio de 11 militares da Marinha. Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão completam 15 dias com reforço da Marinha Pescadores são ouvidos Sem pistas há três semanas, polícia ouve pescadores e reforça buscas por crianças desaparecidas em Bacabal Reprodução/TV Globo Na segunda-feira (19), um grupo de agentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) visitou uma vila de pescadores localizada no povoado São Raimundo, nas proximidades de onde Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado há 12 dias. Ele estava junto com os primos que estão desaparecidos. ➡️ Os moradores foram ouvidos na condição de testemunhas, já que, até o momento, não há indícios de envolvimento deles no desaparecimento, segundo a Polícia Civil. A intenção é reunir o maior número possível de informações que possam contribuir para a localização de Àgatha e Allan. Uma comissão formada por oito delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), atua no inquérito que apura o caso. Paralelamente à investigação, a força-tarefa mantém buscas em áreas de mata, no rio Mearim e em regiões próximas ao quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, além do povoado São Raimundo. Buscas no rio Mearim As buscas no rio Mearim foram intensificadas após o relato de Anderson Kauã, resgatado no dia 7 de janeiro. Ele disse aos policiais que esteve com os primos em uma casa que os agentes chamam de “casa caída”, às margens do rio. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, cães farejadores indicaram a presença das crianças no local e desceram uma ribanceira durante as buscas em direção ao rio. O Corpo de Bombeiros informou ao g1 que o apoio da Marinha foi solicitado por causa do risco aos mergulhadores. A baixa visibilidade, árvores caídas e a forte correnteza dificultam o trabalho no rio. A Marinha solicitou que o número de embarcações na área das buscas fosse reduzido para aumentar a eficiência das operações. As equipes devem permanecer na região por 10 dias, com possibilidade de prorrogação. Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão completam 15 dias com reforço da Marinha Corpo de Bombeiros do Maranhão Sonar faz varredura semelhante a um “raio-x” do fundo do rio Scanner faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores nas buscas. Divulgação/SSP-MA O capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão, explica que o equipamento produz, em tempo real, imagens do leito e da coluna d’água, permitindo identificar anomalias que depois são verificadas pelos mergulhadores, o que acelera as buscas. “Quando a gente vai fazer um exame no nosso corpo, um exame médico, ele faz um raio-x ou outro tipo de escaneamento do corpo e ele consegue visualizar internamente. E esse equipamento é exatamente isso. Então a gente consegue ver a coluna d'água e o leito ali com uma imagem muito nítida, muito perfeita, independentemente da turbidez, se a água é clara ou escura”, disse o capitão. Segundo o capitão, o sonar é o mesmo usado nas buscas por desaparecidos após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), em dezembro de 2024. Além do sonar, a Marinha utiliza uma voadeira e uma moto aquática. De acordo com a Marinha, o sonar pode apontar: Objetos submersos: embarcações afundadas, galhos e detritos. Mudanças no terreno: buracos ou elevações no fundo do rio. Substâncias na água: óleo ou resíduos. Alterações de visibilidade: trechos com turbidez ou neblina subaquática. O vale do rio Mearim tem 98.289 km², o equivalente a 29,6% do território do Maranhão, sendo a maior bacia fluvial do estado, segundo o Projeto de Preservação e Recuperação de Nascentes do Mearim, da Associação de Orientação às Cooperativas do Nordeste (Assocene). A bacia do Mearim abrange 84 municípios, sendo 50 totalmente inseridos no vale. O rio nasce em Formosa da Serra Negra e deságua no Oceano Atlântico, entre São Luís e Alcântara. LEIA TAMBÉM: Após relato de menino de 8 anos, cães farejadores indicam que crianças desaparecidas estiveram em casa abandonada no MA 'CASA CAÍDA': como é a casa onde crianças desaparecidas estiveram no MA CRONOLOGIA DO CASO: Crianças desaparecidas no Maranhão VÍDEO: Veja como estão as buscas pelas crianças desaparecidas após 14 dias em Bacabal, no MA Cães indicaram que crianças estiveram em casa abandonada Crianças desaparecidas no Maranhão estiveram em casa abandonada Cães farejadores que integram a força-tarefa de busca indicam que as crianças estiveram em uma casa abandonada à margem do rio Mearim durante as buscas realizadas na quinta-feira (15). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP). Os cães farejadores identificaram que os irmãos e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos — resgatado no dia 7 de janeiro — estiveram na residência chamada de "casa caída". Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. No entanto, considerando os obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km. O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, não havia sinais da presença de outra pessoa e os cães identificaram exclusivamente o cheiro deixado pelas crianças. Ainda segundo ele, as casas da região são usadas para plantio e pesca, e os donos das casas possuem residência fixa em Bacabal. No entanto, a investigação não detalhou se essas pessoas irão prestar depoimento e se serão investigadas. O ponto foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ser encontrado no dia 7 de janeiro. Ele relatou à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que o acompanha, que chegou ao local com os primos e que deixou os dois na casa enquanto saiu em busca de ajuda. O secretário explicou ainda que os cães desceram uma ribanceira e circularam perto do rio Mearim durante as buscas. As equipes não encontraram novos vestígios, e o trabalho agora avança para um perímetro maior. Varredura por quadrantes Equipes traçam área de buscas por crianças desaparecidas em Bacabal Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada. “Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali”, explicou o major. Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 45 quadrantes, dos quais 25 já foram totalmente vistoriados. A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez. Os bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. Um aplicativo de geolocalização é usado para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. Reprodução/TV Mirante Como são as buscas na região INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão Arte/g1 Mais de mil pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários. Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal e conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças. Veja cronologia do caso Infográfico - Crianças desaparecidas no Maranhão Arte/g1 Ágatha Isabelly, de 6 anos e o Allan Michael, de 4 anos estão desaparecidos no Maranhão Reprodução/TV Mirante