IFMA de Codó cria Museu de Fósseis, Minerais e Rochas com peças de várias regiões do Brasil e do exterior
O professor Aciel Tavares Ribeiro ao lado da caixa de testemunho de sondagem, conjunto de amostras que revela, camada por camada, a composição geológica do s...
O professor Aciel Tavares Ribeiro ao lado da caixa de testemunho de sondagem, conjunto de amostras que revela, camada por camada, a composição geológica do subsolo da região. Divulgação/IFMA O Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Codó, criou um museu com acervo de 158 peças entre rochas, minerais e fósseis, reunidas ao longo de 15 anos pelo professor Aciel Tavares Ribeiro. O espaço ainda passará por reformulação para receber o público, mas parte das amostras já é apresentada em exposições itinerantes. A proposta é transformar o local em ambiente permanente de ensino, pesquisa e extensão. Atualmente, o Museu de Fósseis, Minerais e Rochas guarda 130 rochas e minerais, 28 fósseis e uma caixa com testemunhos de sondagem — amostras cilíndricas retiradas do subsolo para análise do solo e da rocha. A história do acervo começou na casa do professor. Há 15 anos, ele iniciou uma coleção pessoal, que era mostrada apenas aos dois filhos. Em 2023, ao ser removido para o Campus Codó do IFMA, decidiu doar as 120 peças que já tinha reunido e transformar a coleção em projeto institucional. O reitor Carlos Cesar Teixeira Ferreira e o diretor-geral do Campus Codó, Jandherson Moura Silva, durante visita ao museu em fase de consolidação na unidade. Divulgação/IFMA A ideia ganhou força após uma visita, em 2018, ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE), durante um congresso. Na ocasião, o professor — que cursou técnico em mineração pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), entre 2016 e 2018, em Codó — recebeu oito amostras doadas. “A partir daí, a paixão pelas rochas ficou mais forte”, afirmou Aciel Tavares Ribeiro. Com a coleção formada, faltava estruturar o espaço. Aos poucos, a sala foi organizada com apoio da direção do campus e de estudantes. Alguns alunos projetaram as mesas onde as amostras estão expostas. O acervo reúne peças de várias regiões do Brasil e do exterior, como as Serras dos Carajás (PA), Chapada do Araripe (entre CE, PI e PE), Formação Codó (MA), Serra da Ibiapaba, Chapada das Mangabeiras e até amostras de pluma vulcânica da República de Cabo Verde, na África. Parte do material foi doada por áreas de extração — consideradas as mais raras, segundo o professor —, além de exemplares adquiridos em visitas técnicas e lojas especializadas. Entre as peças que mais chamam a atenção do público estão ametistas, titânio e pirita, conhecida como “ouro de tolo”. “Todos os fósseis são importantes, pois ajudam explicar o passado geológico da região. Sobre os minerais estratégicos presentes em solo brasileiro que muito se fala na atualidade, não temos amostras de terras raras, mas temos amostras de lítio e Silício — cuja obtenção levou dois anos de espera”, disse o professor. O reitor do IFMA, Carlos Cesar Teixeira Ferreira, visitou o espaço e manifestou apoio à consolidação do museu. Segundo ele, a instituição pretende buscar editais internos para ampliar a estrutura. “O objetivo é investir em mobiliário expositivo e fortalecer as ações acadêmicas vinculadas ao acervo, de modo a garantir que o museu se torne um equipamento científico consolidado no Campus Codó”, afirmou. Economia, ciência e ensino Além do valor científico, o museu ajuda a explicar a importância econômica da geologia para a região. Codó abriga um polo de extração de gesso e calcário. Uma cimenteira funciona na cidade desde a década de 1980 e, com a expansão da soja, uma gesseira retomou as atividades para atender o setor agrícola. O município também tem duas empresas que exploram água do aquífero Itapecuru — uma de água mineral e outra de produtos de limpeza. Segundo o professor, essas atividades só existem por causa da formação geológica local, que agora pode ser estudada no museu. Aciel Tavares Ribeiro destaca o potencial pedagógico do espaço. Para alunos de Ciências Biológicas, Agronomia, Química e áreas afins, as amostras funcionam como complemento prático às aulas teóricas. O museu também abre espaço para pesquisas em geologia no campus. Em 2025, cinco estudantes selecionados por edital participaram da catalogação e instalação do acervo. Para 2026, está prevista a busca sistemática por fósseis em áreas de extração do grupo Nassau, mediante autorização. A próxima etapa do projeto é ampliar o espaço, abrir o museu regularmente à comunidade, nos moldes de museus universitários do país, além de digitalizar o acervo e disponibilizá-lo em uma plataforma on-line.